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CAPÍTULO 1 - Implantação do sistema

Neste capítulo, abordaremos de forma geral as questões pertinentes ao processo de implantação do sistema e-SUS APS.

Para maior detalhamento técnico de implantação, instalação e habilitações do Prontuário Eletrônico e-SUS APS, veja a seção Apoio à Implantação deste manual, disponível AQUI, que apresenta os seguintes pontos:

1.1 Visão geral da Estratégia e-SUS APS

A Estratégia e-SUS APS transformou o cenário de informatização e conectividade das Unidades Básicas de Saúde (UBS) no Brasil. Com avanços significativos, o Prontuário Eletrônico e-SUS APS já está implementado em mais de 4 mil municípios brasileiros, consolidando-se como um pilar essencial na gestão do cuidado da Atenção Primária à Saúde (APS).

O Prontuário Eletrônico e-SUS APS pode alcançar seu máximo potencial ao ser implementado de maneira estratégica e integrada. Essa evolução requer um modelo de implantação robusto, centralizado em uma única instalação, capaz de otimizar os recursos avançados do sistema, fortalecer a infraestrutura tecnológica e assegurar a qualidade e a integridade dos dados, promovendo maior eficiência e integração em toda a Rede de Atenção à Saúde.

Neste sentido, é possível considerar uma perspectiva de estágio mais avançado a partir do acesso em tempo real e simultâneo a toda a rede de APS e serviços especializados, de acordo com a conformação municipal, regional ou estadual da Rede de Atenção à Saúde, bem como a arquitetura de infraestrutura adequada ao número de acessos simultâneos de usuários ao Prontuário Eletrônico e-SUS APS, além da garantia de boa performance e conexão de internet estável. Também é efetivado o envio de dados ao Centralizador Nacional/SISAB e Centralizador Estadual, quando aplicável, diariamente.

O envio direto de registros à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) ocorre em tempo real, mediante a habilitação do certificado digital na instalação. O login gov.br deve estar habilitado e a sincronização com o CADSUS precisa estar ativa. Para garantir o envio de e-mails relacionados a agendamentos, prescrição digital de medicamentos e atestados digitais, o servidor SMTP deve estar habilitado.

Como protocolo de segurança, recomenda-se a realização de backup diário e automático do banco de dados da instalação, devidamente ativo e configurado. Toda essa arquitetura deve ser gerenciada por uma equipe de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação capacitada para garantir a estabilidade, integridade, segurança, otimização e eficiência do ecossistema.

As estações de trabalho são adequadas e disponíveis para todos os profissionais que atuam no âmbito do cuidado e para a equipe de recepção. Os aplicativos, especialmente o e-SUS Território, são amplamente utilizados pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), sendo realizada a sincronização diária com a instalação do Prontuário Eletrônico do e-SUS APS.

Os profissionais de saúde devem utilizar o SUS Digital Profissional para acesso ao histórico clínico do cidadão a partir das informações existentes na RNDS. Já o cidadão acessa informações sobre seus registros de vacinação, atendimentos, atestados e prescrições digitais pelo aplicativo Meu SUS Digital.

Para ampliar a imagem abaixo clique na legenda.

Visão Geral da Estratégia e-SUS APS

1.2 Avaliação do ambiente

Para que o Prontuário Eletrônico e-SUS APS seja eficiente, é necessário avaliar a infraestrutura tecnológica. Os profissionais de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) têm um papel central no provimento de tecnologias acessíveis, funcionais e eficazes. Isso não apenas aprimora a gestão da saúde, mas também contribui significativamente para a melhoria da qualidade do atendimento ao cidadão. Ao analisar as necessidades específicas de cada ambiente, é possível ajustar as soluções tecnológicas inclusivas e necessárias para apoiar a aceleração digital na saúde pública.

1.2.1 Propósitos da avaliação da infraestrutura tecnológica

Identificação de lacunas: O mapeamento da realidade local permite identificar lacunas críticas de infraestrutura. Para isso, é necessário levantar quais unidades possuem computadores, se há conectividade à internet e o número de dispositivos móveis disponíveis. Isso permite um planejamento mais eficaz para possibilitar que recursos tecnológicos sejam distribuídos onde são realmente necessários;

Melhoria na prestação de serviços de saúde: A presença de tecnologia digital adequada ao cenário do município e de conectividade permite um registro mais eficiente dos dados das pessoas, o acesso a informações de saúde em tempo real e a melhoria na coordenação do cuidado à saúde;

Análise de dados e tomada de decisão: Com sistemas informatizados e conectados, há uma coleta de dados qualificados, úteis e confiáveis. Isso facilita a análise da situação de saúde na forma de relatórios. Entre eles, a identificação precoce de tendências dos indicadores de saúde e a identificação de surtos (aumento localizado do número de casos de uma doença), além de apoiar a tomada de decisões baseadas em informações de qualidade;

Integração e continuidade do cuidado: A integração da informação entre diferentes Unidades de Saúde é importante para o acompanhamento longitudinal da saúde das pessoas. A integração de sistemas possibilita que os profissionais de saúde possam acessar históricos de saúde completos, independentemente de onde o cidadão é atendido.

1.2.2 Análise da infraestrutura

O analista de TDIC responsável tem o papel de realizar uma análise completa do ambiente computacional disponível. A qualidade da infraestrutura das Unidades de Saúde é essencial para prover a eficiência, a segurança e a confiabilidade dos sistemas de informação. É importante que você entenda as necessidades operacionais, da prestação de cuidados e administrativas das unidades. O levantamento envolve discriminar os equipamentos disponíveis, os softwares em uso, a infraestrutura de rede, entre outros aspectos. A seguir, orientações para a análise da infraestrutura existente.

Inventário de hardware

Faça um levantamento dos equipamentos disponíveis nas Unidades de Saúde, como computadores, dispositivos móveis, impressoras, câmeras, entre outros.

Infraestrutura do servidor

  • Conexão: é altamente recomendada uma conxão de internet exclusiva para o servidor, estável e com taxas de download/upload adequadas para a necessidade do ambiente;
  • Rede elétrica: verifique se a instalação elétrica da sala de servidores é dimensionada para a carga atual e futura, contemplando circuitos exclusivos, aterramento adequado e proteção contra surtos;
  • Servidores: Considere a capacidade e especificações técnicas necessárias para hospedar o Prontuário Eletrônico e-SUS APS de forma eficiente;
  • Proteção de energia: confirme a existência de dispositivos de continuidade e estabilização (UPS/no-break, filtros, estabilizadores) que garantam fornecimento ininterrupto e de qualidade para servidores e sistemas;
  • Rack: Faça um dimensionamento e verifique a organização mais adequada para acomodar os equipamentos de TDIC, de maneira ordenada e segura;
  • Ar-condicionado: Verifique se o controle de temperatura e umidade do ambiente é suficiente para prover o funcionamento dos servidores e equipamentos, com o melhor desempenho possível.

Infraestrutura de rede

  • Infraestrutura de rede: Avalie a capacidade da rede local de internet para suportar o tráfego de dados para as atividades desenvolvidas na unidade;
  • Conectividade: Verifique a infraestrutura de rede, incluindo internet e Wi-Fi. Considere a disponibilidade de conexões de rede estáveis e seguras para todos os dispositivos;
  • Segurança de rede: Verifique a utilização de segurança de rede (inclusive implementando HTTPS em sua instalação) e VPNs. Avalie as políticas de segurança atuais, rotinas de backups, antivírus e outras medidas de proteção de dados;
  • Monitoramento: Identifique se há sensor de temperatura e fumaça para casos de incêndio e estrutura para combate a incêndio.

Inventário de software

  • Liste todos os softwares em uso, incluindo sistemas operacionais, aplicativos de saúde, ferramentas de escritório e de comunicação.

1.2.3 Plano de ação

A próxima etapa é relacionar os itens imprescindíveis e elaborar um Plano de Ação. Seguem ações sugeridas (CGU, 2018):

  • Identifique discrepâncias entre as necessidades operacionais e a capacidade atual da estrutura de TDIC;
  • Priorize as ações baseadas em urgência e impacto. Defina quais necessidades operacionais devem ser atendidas primeiro, considerando a importância para as operações com suporte de tecnologia digital na Unidade de Saúde;
  • Faça um plano de atualização tecnológica, prevendo a aquisição de novos equipamentos, atualizações de softwares e melhorias na infraestrutura de rede, se necessários;
  • Desenvolva ou atualize políticas de segurança digital, incluindo a proteção de dados, controle de acesso e recuperação de desastres. Implementar medidas de segurança para proteger os dados sensíveis das pessoas no e-SUS Prontuário Eletrônico é fundamental em se tratando de dados de saúde;
  • Elabore estratégias preventivas como procedimentos indispensáveis para o monitoramento contínuo da performance e da segurança da infraestrutura de TDIC;
  • Organize treinamentos para a equipe da Unidade de Saúde sobre as boas práticas no uso de tecnologias digitais e políticas de segurança;
  • Estabeleça um fluxo sistema eficiente para o acesso ao suporte técnico para resolver problemas rapidamente. Revise e atualize periodicamente o plano de TDIC para se adaptar às novas necessidades e tecnologias.

1.3 Arquitetura da instalação

Planejar a arquitetura de instalação que será utilizada para instalar, acessar e manter o Prontuário Eletrônico e-SUS APS nas Unidades de Saúde é tarefa compartilhada entre pessoas na gestão de saúde e na gestão da tecnologia digital. A seguir, listamos o detalhamento técnico das arquiteturas de instalações utilizadas no e-SUS APS: Centralizada, Descentralizada ou Multimunicipal.

A decisão de adotar cada arquitetura depende das necessidades do município.

Antes da implantação do Prontuário Eletrônico e-SUS APS no ambiente de produção, é essencial realizar um mapeamento do ambiente e identificação das necessidades específicas. Com base no cenário encontrado, devem ser efetuados os ajustes técnicos necessários para atender às particularidades do município.

Como exemplo importante a ser destacado, para locais com poucos recursos, em especial, intermitência de internet, é possível que as Unidades de Saúde tenham uma infraestrutura mínima, somente sendo necessária uma rede interna, pois o servidor do e-SUS APS pode ser instalado em um computador dentro da Unidade de Saúde e o sistema compartilhado em rede entre os demais setores (arquitetura descenstralizada).

A utilização de fichas de Coleta de Dados Simplificada (CDS), em papel, deve ser considerada apenas em locais onde o acesso à energia elétrica é inexistente ou onde não há computadores disponíveis para os profissionais realizarem os seus registros.

1.3.1 Arquitetura centralizada

A instalação centralizada do Prontuário Eletrônico e-SUS APS é externa às Unidades de Saúde e compartilhada entre elas. A principal característica é que uma única instalação do software serve a múltiplas Unidades de Saúde simultaneamente. A instalação centralizada permite o acesso em tempo real ao e-SUS APS em diferentes Unidades de Saúde, facilitando as atualizações de sistema, o atendimento ao cidadão e o acesso às informações de saúde registradas no prontuário.

Figura 1

Fonte: Educa e-SUS APS

Legenda: CAPS: Centro de Atenção Psicossocial CEO: Centro de Especialidades Odontológicas CN: Centralizador Nacional SMS: Secretaria Municipal de Saúde UBS: Unidade Básica de Saúde UPA: Unidade de Pronto Atendimento

A instalação centralizada reúne os dados de transmissão das instalações Prontuário Eletrônico e-SUS APS e CDS do município, estado ou região de saúde, fortalecendo uma organização hierárquica no fluxo da informação na esfera distrital/municipal/estadual e da produção de relatórios.

Características da instalação centralizada:

  • Há apenas uma única instalação do e-SUS APS no município;
  • A infraestrutura tecnológica é única e centralizada para instalação do sistema e-SUS APS;
  • Há apenas um banco de dados e aplicação, facilitando a gestão da informação e as atualizações de versão do software;
  • O e-SUS APS está acessível nas Unidades de Saúde a partir de um endereço público ou IP público;
  • Há envio único, diário e automático de dados ao Centralizador Nacional/Siaps para todas as unidades de saúde da instalação.

Algumas vantagens do uso da instalação centralizada:

  • Há uma única instalação do e-SUS APS e ativação por contra-chave;
  • É necessário apenas uma única rotina de backup, conferindo maior segurança para os dados armazenados;
  • O processo de importação do arquivo XML (dados do CNES) no momento da instalação só precisa ser realizado uma vez;
  • A atualização do e-SUS APS é realizada apenas em uma instalação;
  • É possível realizar as habilitações de segurança, disponibilizando rapidamente as funcionalidades das versões mais recentes do Prontuário Eletrônico e-SUS APS (exemplo: vínculo entre equipes eSF/eMulti, conexão com CADSUS via login gov.br, envio de registros diretamente RNDS, etc);
  • O cadastro do cidadão é realizado somente uma vez e compartilhado com todas as Unidades de Saúde;
  • Há menor risco de duplicação de cadastros, contribuindo para uma base de dados mais higienizada;
  • Os registros de atendimento de uma pessoa são compartilhados entre as Unidades de Saúde, qualificando o cuidado à saúde.

1.3.2 Arquitetura descentralizada

Neste modelo, cada Unidade de Saúde possui sua própria instalação do Prontuário Eletrônico e-SUS APS, funcionando de forma independente e exclusiva. Isso significa que o software instalado localmente na Unidade de Saúde é acessível aos computadores conectados à mesma rede interna, acessando e utilizando os recursos disponíveis, de forma compartilhada.

Figura 2

Fonte: Educa e-SUS APS

Legenda: IP: Internet Protocol CAPS: Centro de Atenção Psicossocial CEO: Centro de Especialidades Odontológicas CN: Centralizador Nacional SMS: Secretaria Municipal de Saúde UBS: Unidade Básica de Saúde UPA: Unidade de Pronto Atendimento

Na instalação descentralizada, os dados são enviados diretamente para o Centralizador Nacional, alocado no Ministério da Saúde. O fluxo dos dados ocorrerá sempre de forma unidirecional, da Unidade de Saúde para o Ministério da Saúde. Apesar disso, a arquitetura descentralizada possibilita a importação de dados de outros sistemas, como o CDS (lotes .RAS), remetendo-os para o Centralizador Nacional.

Optando pela modalidade de instalação descentralizada, cada Unidade de Saúde, junto com sua respectiva equipe de profissionais TDIC, se responsabiliza por baixar cada nova versão do Prontuário Eletrônico e-SUS APS, realizar a instalação, configuração do sistema e disponibilizá-la para uso na Unidade de Saúde.

Características da instalação descentralizada:

  • Cada Unidade de Saúde se responsabiliza pela instalação do seu próprio Prontuário Eletrônico e-SUS APS (banco de dados e aplicação);
  • Haverá instalações separadas dentro de um mesmo município;
  • As informações coletadas no e-SUS APS são compartilhadas apenas entre computadores da mesma Unidade de Saúde onde o software foi instalado;
  • Cada instalação envia os dados ao Centralizador Nacional/Siaps (quando há conectividade com a internet) ou via lotes .RAS (Registro de Atendimento Simplificado) manualmente para o Centralizador Municipal (quando não há conectividade com a internet), que remeterá posteriormente esses dados ao Centralizador Nacional/Siaps;
  • O centralizador municipal dos dados é o e-SUS APS instalado no modo Centralizador, geralmente alocado na Secretaria Municipal de Saúde, que é o tipo de instalação utilizada para importar dados consolidados de outras instalações do e-SUS APS ou Sistemas Próprios/Terceiros, gerar relatórios e realizar o envio de registros ao Centralizador Nacional..

Algumas desvantagens do uso das instalações descentralizadas:

  • Há um custo operacional de manutenção para cada uma das instalações do Prontuário Eletrônico, em cada Unidade de Saúde, ao invés de um custo centralizado como seria o caso se houvesse uma única instalação central;
  • Pode haver dificuldade no processo de atualização das versões do e-SUS APS e XML, pois a atualização deverá ser realizada em cada uma dessas instalações;
  • A implementação de rotinas de backup exige um plano que contemple cada Unidade de Saúde, com maior risco de perda de dados;
  • O município deve fazer a gestão de várias bases de dados, sem intercomunicação;
  • Poderá haver duplicidade de cadastros e dados nas diversas bases;
  • Há maior risco de invalidação dos registros no envio ao Siaps, associado à duplicidade.
  • Gera retrabalho na realização de cadastros dos cidadãos;
  • O monitoramento, em tempo real, dos cadastros e registros das Unidades de Saúde pelo município será mais difícil.

1.3.3 Arquitetura multimunicipal

A instalação multimunicipal é utilizada quando um município, ou um estado, tem a capacidade de partilhar uma instalação com outros municípios. Na instalação multimunicipal centralizada, o Prontuário Eletrônico e-SUS APS é configurado para ser utilizado na opção de instalação em modo Prontuário, permitindo que o administrador municipal utilize o sistema de acordo com as suas necessidades e com total autonomia.

É fundamental que exista uma governança clara e um acordo de gestão entre os municípios/regiões envolvidos, estabelecendo responsabilidades detalhadas para a operação, manutenção, atualização e suporte do sistema nas instâncias deliberativas como a Comissão Intergestores Regional (CIR) ou a Comissão Intergestores Tripartite (CIT).

Na modalidade multimunicipal, tanto a instalação e manutenção do software, quanto o armazenamento e o processamento de dados dos cidadãos são centralizados em um único local. Isso facilita a gestão dos dados, favorece a segurança cibernética, além de otimizar custos através do compartilhamento de recursos tecnológicos e financeiros, em um arranjo acordado entre as pessoas na gestão. Outro aspecto relevante é que facilita o acesso dos profissionais de saúde às informações das pessoas, o que pode ser benéfico em regiões onde os cidadãos se deslocam frequentemente entre municípios. Promove o registro longitudinal e o acesso aos dados, apoiando a qualidade do cuidado. Neste cenário, a utilização de protocolos para qualificar as linhas de cuidado é beneficiada e, também, a análise de informações sobre a saúde pública, fortalecendo o planejamento regional.

Figura 3

Fonte: Educa e-SUS APS

Legenda: CAPS: Centro de Atenção Psicossocial CEO: Centro de Especialidades Odontológicas CN: Centralizador Nacional UBS: Unidade Básica de Saúde UPA: Unidade de Pronto Atendimento

Por outro lado, a instalação multimunicipal requer uma infraestrutura de rede robusta e confiável, rigorosas medidas de segurança de dados e política de privacidade para proteger as informações sensíveis. Trata-se de uma solução inovadora, já utilizada em algumas regiões brasileiras, para melhorar a gestão da saúde em múltiplos municípios, particularmente em áreas com recursos limitados.

Para implementar o e-SUS APS multimunicipal, a pessoa no perfil de Gestor da APS deve efetuar inicialmente o cadastramento de gestor do e-SUS APS do Município/Estado. Tal cadastramento é necessário para acesso ao Siaps. A pessoa no perfil de Gestor do e-SUS APS tem a responsabilidade de supervisionar a implantação do Sistema e-SUS APS, além de gerenciar o cadastro e a gestão dos técnicos encarregados da instalação nas Unidades de Saúde e na própria Secretaria de Saúde.

Para que vários municípios possam compartilhar uma única instalação multimunicipal, é necessário selecionar a opção de instalação em modo Prontuário nas configurações de instalação do sistema. Uma vez finalizada a instalação do sistema, a vinculação dos municípios se dará efetivamente ao acessar o Prontuário Eletrônico e-SUS APS, no menu Configurações da Instalação e na aba Municípios responsáveis associar a instalação a mais de um município, garantindo que todos compartilhem a mesma infraestrutura e os recursos do sistema.

nota

Na análise de dados e de relatórios em uma instalação multimunicipal, com um computador que centraliza o Prontuário Eletrônico localizado na cidade com maior recurso computacional, os relatórios são gerados dados por município. A diferenciação entre os municípios participantes é realizada por meio do código IBGE de cada município, que atua como chave primária no sistema. Esse código único garante que, apesar de compartilharem a mesma infraestrutura centralizada de sistema, os dados de cada município serão acessados por cada município em separado. Isso é fundamental para a organização e a integridade dos dados, permitindo análises detalhadas e específicas de cada cidade, além de facilitar a geração de relatórios que atendam às necessidades locais.

1.4 Modalidades de instalação

No contexto do e-SUS APS, há duas modalidades de instalações possíveis que se adaptam às necessidades e às capacidades de infraestrutura dos municípios ou das regiões: as instalações em modo Prontuário e modo Centralizadora.

Figura 4

Fonte: Saps/MS

nota

A preparação da infraestrutura tecnológica necessária para o ambiente que hospeda o e-SUS APS é essencial. O ambiente pode ser configurado tanto em uma infraestrutura local própria quanto multimunicipal. Os aspectos mais importantes a serem definidos incluem hardware, sistema operacional, banco de dados, configuração da Máquina Virtual Java (JVM). Dada a constante inovação tecnológica, é fundamental consultar regularmente as recomendações do suporte ao sistema para certificar-se que as informações são as mais recentes e corretas. Manter-se atualizado, com as últimas versões e diretrizes, promove as melhores práticas de instalação e configuração do sistema, otimizando seu desempenho e evitando problemas técnicos.

1.4.1 Modalidade: Prontuário

A instalação do e-SUS APS em modo Prontuário é projetada para ser completamente funcional em termos de gestão de prontuários eletrônicos e pode ser utilizada em um servidor na Unidade de Saúde (instalação descentralizada) ou a partir de um servidor único no Município (instalação centralizada). Ela contém os recursos necessários para o manejo dos registros de saúde e pode ser utilizada também por mais de um município, no caso de instalação centralizada multimunicipal. Permite a operacionalização completa do e-SUS APS: a entrada de dados durante as ações de saúde como atendimentos e vacinação, a gestão e a consulta aos dados de saúde da base local, facilitando o acesso e a atualização dos registros de APS pelos profissionais, com todas as funcionalidades do e-SUS APS. Este modelo é o modelo mais utilizado pelos municípios, ideal para as instalações do tipo centralizada.

1.4.2 Modalidade: Centralizadora

A instalação do e-SUS APS em modo Centralizadora possibilita a convergência de dados provenientes de outras instalações descentralizadas do e-SUS APS em modo Prontuário. A sua principal função é agir como um repositório central, onde os dados de diferentes instalações, Unidades de Saúde e/ou municípios, são agregados e armazenados. Porém, a instalação do e-SUS APS em modo Centralizado não permite a sincronização com os aplicativos do e-SUS APS.

Este tipo de instalação é comumente utilizado por municípios de grande porte e Estados, sendo ideal para a análise de dados em grande escala e para a consolidação de informações de saúde que podem ser usadas para monitoramento e planejamento em nível regional ou estadual.

1.5 Requisitos mínimos para a instalação

O desenvolvimento do e-SUS APS é multiplataforma, ou seja, é possível ser instalado em diferentes sistemas operacionais, inclusive distribuições gratuitas do GNU/Linux, que são softwares livres, portanto sem custos de licença ou aquisição.

Atualmente, são desenvolvidos instaladores para as seguintes plataformas de arquitetura 64 bits:

  • Microsoft Windows (preferencialmente versão Server, mas também é possível nas versões 7 / 8 / 10 / 11);
  • Linux (distribuições recomendadas, preferencialmente nas versões Server: Debian / Ubuntu / Red Hat / CentOS).

Quanto ao banco de dados, o sistema e-SUS APS oferece suporte a dois tipos de banco de dados, sendo eles o PostgreSQL e o Oracle.

Por padrão, o e-SUS APS, vem com o banco de dados PostgreSQL. Esse banco de dados é recomendável para todos os tipos de arquitetura, pois, sendo um software livre, o PostgreSQL não envolve custos de licença ou de aquisição. Recomenda-se utilizar a versão 9.6 ou mais recente.

Para aqueles ambientes que preferem o banco de dados Oracle, recomenda-se minimamente a utilização das versões: Oracle XE 12.2c, Oracle Standard Edition 12.2c ou Oracle Enterprise Edition 12.2c.

Os requisitos para implantação do e-SUS APS devem considerar a quantidade de usuários que utilizarão o sistema de forma simultânea, incluindo profissionais de saúde e pessoas na gestão. O desempenho eficiente do sistema depende das especificações adaptadas de acordo com os cenários de implantação identificados, sejam eles centralizados ou descentralizados, conforme apresentados anteriormente. Os municípios devem considerar suas necessidades para configuração e manutenção dos seus bancos de dados, conforme necessidades específicas.

Para maiores detalhes sobre requisitos de hardware para instalação do sistema e-SUS APS nas diversas configurações de ambientes possíveis, visite à seção Apoio à Implantação, aba "Preparar ambiente".

1.6 Instalação e habilitação do sistema

Para realizar o download do sistema, acesse o Portal do e-SUS APS no endereço eletrônico: https://sisaps.saude.gov.br/esus/.

Em seguida, escolha a opção de download específica para o sistema operacional onde o sistema será instalado.

Durante o processo de instalação, você deve escolher o tipo de instalação do sistema: Produção ou Treinamento.

O tipo Produção é a versão do sistema que deverá ser instalada para utilização das equipes de saúde no registro das suas atividades do cotidiano.

Para maiores detalhes sobre o processo de instalação do modo Produção e como realizar a habilitação da instalação do e-SUS APS, visite à seção Apoio à Implantação, abas "Instalar e configurar", "Contra-chave" e "XML".

O tipo Treinamento permite instalar o e-SUS APS para fins de ações educativas dentre outras possibilidades, em qualquer ambiente, como por exemplo em instituições de ensino. Mais detalhes sobre a instalação do modo Treinamento neste tutorial: LINK.